Sem querer
É tudo sem querer. E sem querer, se quer. Não há explicação para os fatos que busco, e não há fatos que explicam o que quero. Esse heterogêneo paradoxalmente oposto me mantém vivo hoje. Não sei o que querer. Não sei se quero querer. O não-saber, a imutabilidade das coisas diante dessa mudança constante que é a vida, isso tudo me deixa desse jeito. Se me quer, me quer. Assim como "bem me quer", ou "mal me quer". Não adianta... Não adianta esperar por isso. O convencimento me assusta, mas vem aos poucos, me deixando encabulado, me deixando desanimado.
Sei que não é fácil. Nunca é. E ninguém disse que seria. Se dissesse, estaria mentindo com todas as forças. Mas mesmo assim, a tentativa é necessária. Ela se fez necessária desde que ficamos assim, parecidos. Quase-irmãos, diria alguém... Mas ninguém diz. Ninguém quer se manifestar, e que ninguém se manifeste. Justamente aquilo que precisamos é que ninguém se manifeste. Talvez as coisas fiquem mais fáceis assim; talvez nem tenhamos que sofrer tanto por algo que não merece sofrimento. E mesmo sem merecer, o sofrimento fica aqui, atormentando, atormentado. Que atire a primeira pedra aquele que nunca passou por isso. Que atire duas, três, quatro pedras! Mas que saiba que o amor fez parte da minha vida. E que fará, não obstante o sofrimento venha de brinde. E que aquilo que escreverem na lápide do outro, escrevam na minha. Foi poeta, e amou em vida.
Não quero, não quis e não vou querer terminar aqui. Não é assim que se termina. Não é terminando, ouviu? Não é terminando! E se as coisas estão boas, por que piorar? Por que queremos e precisamos e não conseguimos viver sem piorar? Só pelo desafio de ter... ter mais algo contra o que lutar? Só pra se sentir bem (ou mal)? Buscando o inalcançável, ela foi. Não sei se vai encontrar. Não quero saber. Por hoje chega.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home