Sunday, July 09, 2006

Entre, por favor

Ela saiu cedo. Nas mãos, não tinha nada que a fizesse sequer pensar em voltar. Era a última vez que ela havia saído, e sabia disso. Não pretendia, não fazia questão de pensar em nada. Logo pensar, que fora uma constante em sua vida, agora não fazia mais parte de suas ações. Mas o problema, o grande problema, é o que está por vir.

Sem pensar, mas sem se deixar levar, as coisas ficaram frias. E a frieza transformou-se em rotina. No fundo, desde o início ela o havia alertado: vai ser assim. E ele, do fundo de sua ignorância, escolheu mais uma vez acreditar que não, que aquilo era um alarme falso, que aquele aviso na verdade não iria se concretizar. Mas fez-se, e aquilo de que tinha mais medo aconteceu: também ele, outrora o oposto, tornava-se cada vez mais pensante. Logo pensar, aquilo que ele nunca procurou tornar constante, estava ali agora. E o amor é fogo, que arde sem se ver? Não. Pra ele ardia, e ardia, e ardia... E ele via. O problema, pensava (novamente) ele, era deixar de arder. Isso, infelizmente ele também via...

E pensar que tudo começou... pensando.

1 Comments:

At 13 July, 2006 18:22, Anonymous Anonymous said...

Does it reflects something you're going through? Shit man! I'm just thinking 'bout this due to what you said to me on the job....

just wondering what could be. But if it's nothing...BETTER...Just another good write! :-)
Keep on writing man, you're good on this shit!

 

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