Saturday, January 21, 2006

Quem conta um conto...

Havia chegado o dia. Sim, daqui há algumas horas ele iria se encontrar com ela. Não se sabe onde, mas se sabe por quê. Ahh, isso se sabe muito bem.

Tempos atrás - meses ou anos, não importava naquele momento - tudo corria bem na vida dele. Aliás, correr não corria. A vida estava mesmo era parada, mas pra ele estava bom. O desconhecido assusta, e ele não queria mesmo se assustar naquele momento. Mas não se manda e nem desmanda em nada nesse mundo, ainda mais quanto o assunto é sua própria existência. Aconteceu sem que ele se desse conta. Letras, números, tudo aquilo ganhou forma. E a forma mais improvável que se poderia querer. Foi tomando conta, foi abrindo e ganhando espaço, e tornou-se, simplesmente.

No começo, alertamos acima, ele ficou com medo. Mas quem não ficaria? E quem, depois de conhecer o que era desconhecido até então, não se entregaria? Mas ele foi além. Sentiu, se deu, fechou os olhos, tapou os ouvidos. E foi. Na bagagem, ele levou roupas e um papel. Em branco, pra escrever a vida. A vida que pra ele agora tinha cores, muitas cores. Tinha nome e endereço, e cabelos ruivos. E a vida foi boa naquele momento. As cores se destacaram, e o tempo encurtou. Mais do que ele queria.

Voltando, ele foi novamente. E indo, voltou. E assim foi, até as letras não deixarem mais. Até elas estragarem, derreterem, parecerem números. Frios, e acima de tudo calculistas. E ele leu, releu e leu novamente. Não acreditava, ou não queria acreditar. Talvez por ter fechado os olhos e tapado os ouvidos no começo de tudo... Mas era difícil fingir, ele nunca fora bom nisso. Aliás, nunca fora bom em muitas coisas... Por exemplo, em aceitar erros. E com esse, é claro, não ia ser diferente: foi como estar debaixo d'água, perdendo o fôlego a cada instante, tentando ficar até o último momento. Mas ele nem precisou se preocupar tanto em manter-se lá: retiraram a água antes, e com ela muito mais.

Ligou, inconformado, pra ela. E decidiu ir novamente. Fazia questão de se enganar naquele momento, dizendo que ia tirar tudo a limpo. Claro, sendo o homem o que é, e não sabendo ser de outra maneira, a limpeza não passou de cinco minutos, talvez menos, não mais. Mais cedo do que supunha, já se sentia bem. E voltou. Sabendo que nunca mais ia vê-la. Sabendo que valeu a pena. E pensando que foi bom. Ainda, a folha continuava em branco.

Monday, January 02, 2006

Afogando

Acho que essa época do ano afogou um pouco meus pensamentos... Não me veio nada pra escrever aqui. Então não vi porque escrever ;-)

Ahh, parabéns pra Luna! É claro ;P

[]s!

P.S.: I didn't say I'm thinking, I said I'm sinking!!